Antes
que se conheça o desfecho de qualquer competição que ainda não tem vencedor
(apesar de achar que o campeonato está ganho), quero desabafar sobre a minha
opinião acerca de Jorge Jesus.
Vamos
por épocas mas, apesar de todas as qualidades que se evidenciam nele, o Benfica
não pode ter um treinador que ganha campeonatos de 5 em 5 anos. Ponto final. É
verdade que tem dado muito dinheiro ao Benfica (entre receitas de bilheteira –
o primeiro ano foi fascinante – e lucros com vitórias nas competições
europeias), mas não chega. Pelo menos para mim. Não.
E
ainda há aqueles jogos que não me saem da cabeça (os piores a negrito):
Época
2009/2010
Há um 8-1 ao Vitória de
Setúbal (e este é o meu Benfica ideal), mas começa o obstáculo chato chamado
Braga (jornada 9, 2-0 no AXA), há a eliminação
da Taça de Portugal na 4ª eliminatória, em casa, com o Guimarães e, mais
perto do fim, o afastamento em Liverpool da Liga Europa, depois de uma experiência parva que teve repetição no
Porto, provocando a segunda derrota no campeonato (mas já depois da conquista
da 2ª Taça da Liga ganha a eles, sem espinhas e sem Lucílio). Resultado:
campeões nacionais, ao fim de 11 anos, a 5 pontos do Braga, 8 do Porto e 28
(sim, vinte e oito!) do Sporting. Nada mau, mesmo assim, para um treinador recém-chegado.
Época
2010/2011

O ano começa com três
derrotas: Porto, para a Supertaça, em casa com a Académica (primeira jornada) e
na Madeira com o Nacional, logo a seguir. À segunda jornada tínhamos zero
pontos. No ano anterior tínhamos um e fomos campeões. Vamos esperar… Quarta
jornada, nova derrota. Então? A seguir vem o Sporting. 2-0 na Luz. Menos mau…
Liga dos Campeões (íamos ver o estofo do Jorge Jesus na Europa dos grandes),
2-0 ao Apoel mas duas derrotas na Alemanha e em França. Afinal? Onde andava o super
Benfica do ano anterior? Ninguém sabia. Mas este era também o ano da teimosia.
Roberto na baliza; não é preciso dizer muito mais. Era frango atrás de frango.
Depois veio o dia 7 de Novembro. 5-0 no
Dragão. Rennie, Gaviscon, etc… Pouco depois, um 3-0 do Apoel. Só faltava “virem os cães mijar-nos os pés”! Em Dezembro
dissemos adeus à Liga dos Campeões com mais uma derrota caseira diante do
Shalke 04. 2011 corria na perfeição (só vitórias) até chegar Março. Nova
derrota com o Braga. Depois, derrota em
casa com os do costume (FC Porto campeão – ver mais à frente) enquanto a
Liga Europa corria bem. Por fim, em menos de um mês: derrota em casa com o Porto, depois de uma vitória no Dragão por
2-0 (para a Taça de Portugal) e a
eliminação da Liga Europa pelo Braga, uma equipa que Jorge Jesus conhecia
muito bem. Final: 2º lugar a 21 pontos do Porto e uma Taça da Liga, ganha ao
Paços de Ferreira. É preciso dizer uma coisa, o FC Porto tinha uma super
equipa, muito bem orientada. Mas nada, nada, nada justifica o facto de termos
permitido, no dia 3 de Abril de 2011, que o eterno rival do Norte tenha vindo
fazer a festa ao nosso estádio. Jesus, esta é tua! Quase tão mau, foi aquilo
que se passou depois do apito final. Uma vergonha…
Época
2011/2012

Um ano praticamente
imaculado. Tinha tudo para ser uma boa época. À parte da eliminação da Taça de Portugal nos oitavos de final diante o Marítimo,
no Funchal, na Liga dos Campeões só conhecemos o sabor da derrota na Rússia,
com o Zenit, resultado “emendado” na Luz com um 2-0. Nesse jogo perdemos o
Rodrigo, que só viria a aparecer este ano, curiosamente! Depois, até ao fim,
para além dos inúmeros empates, ainda em 2011, que marcavam a distância para o
FC Porto (que não cedia pontos), lá fomos a Guimarães perder, seguido de um
empate (mais um) em Coimbra e uma derrota
em casa com a equipa de Vítor Pereira (esse mestre do futebol!). Entretanto
mais uma Taça da Liga (a quarta) e uma derrota
com o Sorting (esse colosso!). Quanto à Liga dos Campeões, destaco os quartos-de-final
perdidos com o Chelsea, onde o Benfica mereceu, sem dúvida, ganhar… Até ao
final, mais um empate em Vila do Conde, resultando num campeonato mal perdido
para o Porto, que ficou a seis pontos, onde claramente não houve pernas (nem
banco) para tanta competição.
Época
2012/2013
O ano da desgraça! Sim,
da desgraça! Do minuto 92. Nem me apetece dizer muito mais. Os empates da treta
(do costume). Um grupo acessível na Liga dos Campeões (mesmo com o Barcelona),
mas o Celtic e o Spartak de Moscovo
pareceram gigantes… O Pior foi no fim: depois da “festa” no Funchal,
seguiram-se o empate caseiro com o
Estoril e a derrota no Porto, com os joelhos de Jesus a tocarem a relva.
Estava tudo feito. Pouco depois a final de Amsterdão com o Chelsea (o melhor
dos três jogos derradeiros) e o Jamor,
onde o Cardozo fez aquilo que nos apetecia fazer; pedir explicações! Resultado:
zero conquistas e um campeonato perdido para o Porto, por um ponto, onde nem a
habitual Taça da Liga nos aconchegou…
Época
2013/2014

Começou
como tem começado. Derrota na primeira
jornada e até aos últimos minutos do segundo jogo, estávamos a encaixar a
segunda… Mas a coisa lá se endireitou, muito por culpa do Porto, que chegou
a ter 5 pontos de vantagem e está agora a 15. A luta tem sido com o Sporting
que, em abono da verdade, nunca chegou a assustar. Estamos agora a 2 pontos do
33º título de Campeão Nacional e, só nós benfiquistas, é que ainda temos algum
receio. Porquê? Basta ler o que escrevi em cima… Quanto às competições
europeias, podia ser pior. Depois de agigantarmos
o PSG, o Roberto lá nos tirou os oitavos de final com uma exibição que
nunca fez com o símbolo do Benfica ao peito. Na Liga Europa, a final está a
dois jogos de distância, contra uma Juventus que jogará em casa na final, se
passar, e que não mete medo. O Pirlo já começou com os habituais “mind games”, mas o que receio é que a
corrupção nos tire o primeiro título europeu em décadas, já que o Platini ainda
pode fazer das suas e os outros espanhóis são perfeitamente acessíveis. Se
perdermos, que seja limpo! A Taça de Portugal é amanhã, com o Porto, e já
estamos a perder 1-0. Não tenho fé,
como sempre. Mas é na Luz. Vamos ver… A Taça da Liga é com eles, também, mas sendo
no Dragão, tenho menos esperança, pois já percebi que mesmo em anos brilhantes,
deve haver qualquer coisa na água (vitórias lá em cima, são escassas). Apesar
de tudo, para o campeonato temos 4 empates e uma derrota e nunca um FC
Porto-Benfica teve tão pouca importância, pois será na última jornada. Por
enquanto corre bem a época e até ver não há nada a apontar, a não ser os
empurrões ao Shéu em Inglaterra, depois de um gesto que apagou uma noite de
glória.
Jorge
Jesus está diferente. No discurso, nas atitudes (apesar do que já disse) e há
uma diferença: tem banco de suplentes e nunca acusou as ausências de Cardozo,
Salvio e Matic.
Mesmo podendo ser este um
ano de glória para o Benfica, não consigo apagar da memória os anos anteriores
(tudo o que falei), as teimosias e, sobretudo, a arrogância no discurso e a
maneira como sacode as responsabilidades para os jogadores na hora da derrota
assim como as cobra (só para ele) nas vitórias. Este ano temos um treinador
melhor, mas também um plantel melhor, um capitão de equipa melhor e piores
adversários…
E este ano há dedicatória!